domingo, 25 de maio de 2008

Poema nº1: "Augúrios"

Das montanhas em claro verde
Ouve-se o farfalhar das asas
Da águia a voar com liberdade
No seu plano metafísico
Em vales derradeiros
No suor das hastes o ardor
Da Montanha onde incide o Sol
Em proesa divina e impetuosa
Flor do campo há de se admirar
E quem há de discordar
De vôo de asas ao ninho
Em ausência de carinho
Nos irá proporcionar?

Sereno belo e calmo
Nos banha em silêncio
A noite cai veloz
Ao corte do albatroz
Pruma da juventude
Helenísica compaixão
Ao som das trombetas do anuncio
Que a manhã que virá
Será melhor que a noite
Onde veremos o sol brilhar
Longe do ímpeto do luar
Grande sombra projetada
Ao inverno do semblante
A figura da natureza
Figurando no patamar cimeiro
Projetando a sombra inferior
No casulo sombrio da manhã
Onde o frio e o quente dançam
Entrelaçam-se e criam nós
Por força superior, e maçiça
Adornam os vales brilhantes
Ar fresco que te enamora

E vedes tão nebulosa manhã
Tão fria tarde e tão quente noite
E sentes a minha presença
Maculando a sagrada paz
E sentes a brisa suave
Em teu belo e formoso rosto
E sentirás minha falta
E te tornarás uma fria montanha
Gélida e solitária, aparando o vento
Cujo sereno há de tornar
Tortuosa perdição
Cuja chuva há de destruir
Seus sonhos e seus louvores
E tendes a saber então
Que a brisa leve da manhã
É melhor que a tenebrosa tempestade
E ouvirás eu dizendo
As mais suaves palavras
E me ouvirá em cada manhã
E eu saberei te agradar
E sentirás o sabor doce
Do amargo desejo depravado
Donde há de vir o pensamento
Mácula jamais quebrada

Em fora de sintonia está
Em cismar do farfalhar
A borboleta pousa na flor
E do néctar faz seu alimento
E do pólen faz brotar
Divina natureza, em contrapartida
Intervenção assidua será
Em junção de seus segredos
A perdição de nosso luar
Encontrando a acolhedora noite
Agasalhada solução conspira
Em total pranto te direi
E no fim, tudo o que eu sempre sonhei
É pra sempre te amar

Ass: Marcel Villalobo

Notas: Este poema não segue uma métrica nem obedece uma estrutura. Além do que, pode-se encontrar várias características de diferentes escolas literárias, a quem sempre procuro me inspirar, nos verdadeiros mestres do assunto.
O poema fala basicamente de amor, de uma forma bem metafórica e personificada, além de persistir certas dúvidas e conflitos. Enfim, essa é a minha interpretação, afinal, tem a ver com o momento que vivo.

2 comentários:

Kaio disse...

Bicho, eu não conhecia esse seu lado poetero!=P
Gostei do teu poema, principalmente no que você chamou de "segunda estrofe"(apesar da influência da segunda geração)!
Bom, você tem futuro, faça publicidade.

Gisele e Graziele Maia disse...

Wow!
Lindíssimo! Adorei, tudo mesmo, lindo vocabulário, maravilhoso contexto; remeteu-me mais à lembrança típicos escritos árcades-românticos, encantei-me tal como é-me de natureza contemplar os aprazíveis ares piegas da natureza!
Parabéns, quero ler muitos outros, sim?
:*